11.12.12

capítulo I (Janeiro) - I


  Há cinco anos atrás não era a mesma pessoa. Vivia com Bryan e éramos felizes. Mas tudo tem um fim. Desde que ele saiu de casa, passei a fechar-me no escritório diante dos livros. Como se eles preenchessem esse vazio no meu coração. A Natalie está sempre a dizer para me distrair mais e sair com ela nos típicos sábados á noite. Mas o que posso fazer? É a única coisa que uma melhor amiga pode dizer, e agradeço todo o apoio que recebo dela, apesar de nem sempre me ajudar.
Não sou adepta dos bares e discotecas, onde todos encontram o seu par só por uma noite e mais tarde enfiam-se no hospital com um coma alcóolico de todo o tamanho, que até é bem merecido. Não preciso disso, não é um par em cada semana diferente que me vai trazer felicidade, não é assim que funciono. A Natalie é o meu oposto, todos os sábados conhece alguém novo. Acabo sempre por me confundir com tantos nomes! Não se preocupa com o amor, ela só quer curtir a vida. Porque acha que é isso que está destinada a fazer.
Natalie já esteve envolvida uma vez com Bryan. Foi antes de o conhecer, mas tenho de admitir que é deveras estranho pensar nisso. Bryan contou-me uns dois meses depois de nos termos conhecido. Foi sair com amigos e encontrou-a por acaso, acabando por se envolver mais tarde com ela. Mas não foi nada de mais para ultrapassar dessa noite, disse.
Há algum tempo que não falo com Bryan. Confesso que não estou habituada a estar longe de alguém com quem passei muito tempo. Passámos cinco calorosos anos juntos, aqui em Nova Iorque, em que nada nos deitava abaixo e o amor era uma imensidão. Ele deixou-me porque quis. Talvez se tenha fartado de mim, mas nunca admitiu. Apenas foi dito um "Desculpa Gabs, já não dá mais.". Não tive tempo de lhe perguntar porquê, ele saiu disparado, já com as malas á porta. Ainda hoje não lhe pedi justificações algumas e acho que não vou pedir. Não quero saber que o homem que mais amei, e temo ainda amar, está envolvido com outra pessoa e que todos os momentos que passou comigo não significaram nada mais que simples momentos. São apenas pequenos pensamentos presos na minha cabeça.
Os livros ajudam-me imenso. A minha mente muda de lugar, de tempo. Fico fora da minha vida durante algum tempo. Perdi Bryan há dois meses, e ainda não consegui esquecer nem um pouco do amor que sempre senti por ele. Nesses dois meses, não fiz nada mais senão ler. A minha vida simplesmente não anda para a frente!
Costumava passar o Natal com ele, bem juntos ao calor da lareira, olhando para as estrelas que iluminam a noite. Estava tão habituada a tê-lo por perto que me custou passar este Natal sozinha. A minha mãe não passa o Natal comigo desde os meus 17 anos, mudou-se para França e eu apenas fiquei em Nova Iorque para acabar os meus estudos e claro, para estar mais perto do  meu pai. Sinceramente, preferia estar mais perto dele do que dela. Apenas por razões de afinidade. O meu pai não pôde passar comigo este Natal, foi passar férias a Portugal com a sua namorada, Yasmine, e eu por aqui fiquei.. na esperança de receber uma simples carta, ou um toque na minha antiquada campainha de casa, desejando ver Bryan com um ramo de flores pedindo para voltar. Sonhos, que durante muito tempo foram reais!
Provavelmente ele deve estar instalado na casa da sua nova mulher, sentado no sofá, apertando-a contra o seu corpo e dizendo que a ama imenso. Ou talvez está na discoteca, tentando arranjar um par só por uma noite. A minha cabeça enche-se de perguntas quando não tenho uma resposta certa.. uma resposta que gostaria de ter.

Sem comentários:

Enviar um comentário